domingo, 3 de maio de 2009
Mudar é preciso...
O nome é o mesmo, só troquei o hospedeiro.
Espero que continuem acompanhando os meus textos!
Obrigado por todos os que visitaram este endereço em 1 ano de blog.
Que venha mais 1 ano! =)
O novo endereço é:
http://meumundoeminhamente.wordpress.com
Nos vemos lá!
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Folhetim da vida real
Uma novela de muitos capítulos...
O primeiro capítulo é o dia em que nascemos.
Cada dia é um capítulo.
E cada personagem é uma história.
Sendo assim,
Cada pessoa carrega consigo a sua própria novela.
Histórias de amor, de fazer rir e de fazer chorar.
Momentos bons e ruins pontuados com picos de audiência.
O público segue atento às nossas vidas.
São os nossos “colegas de trabalho”.
Todos são nossos coadjuvantes
Enquanto somos coadjuvantes na vida dos outros.
Mas também somos protagonistas.
Todos queremos ser protagonistas!
E nessa eterna busca pelo papel principal,
Acabamos nos transformando em antagonistas,
Grandes vilões cheios de defeitos.
Temos diretores competentes.
Diretores enviados pelo Grande Escritor.
O Grande Escritor,
O Autor destas maravilhosas e diversificadas
Novelas da vida real, é sensato
E o melhor escritor de todos os tempos.
Pois no final da história, não há o famoso “felizes para sempre”,
Nem aparece escrito na tela “fim” depois de um casamento qualquer...
Independente de sermos mocinhos ou mocinhas;
Vilões ou vilãs;
No último capítulo temos todos o mesmo final:
A morte.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Conversa de bêbado
Garçom,
Traz mais uma!
Bem gelada hein!
Que hoje eu quero comemorar!
Bebo.
Sorrio.
Converso com os amigos.
Rio com os amigos.
Rio dos amigos.
Os amigos riem de mim.
Bebo.
Sorrio mais um pouco.
Jogamos conversa fora.
Palavras afoitas.
Muitas inúteis.
O simples ato e desejo de falar, puro e simplesmente.
Paro de falar por um instante.
Mais uma, garçom!
A vida é bela e muito curta e eu quero comemorar!
Hoje, amanhã e depois.
Na semana próxima e na seguinte.
No mês que vem e no próximo ano.
Nos próximos anos...
Quero comemorar sempre!
Enquanto houver ar nos meus pulmões, celebrarei a vida!
Não a minha.
Mas a dos meus entes amados.
Da minha esposa, dos meus filhos...
Tenho dois: Miguel e Mariana.
Lindos.
Levados, mas lindos.
Muito inteligentes!
Nunca vi crianças tão espertas!
Devem ter puxado ao pai... Só pode!
Já estou aqui há tempos...
O bar tá fechando.
Mas eu não quero ir embora.
Tão tirando as outras mesas e levando as cadeiras.
Não tem problema, seu garçom.
Eu bebo em pé, sentado ou do jeito que o senhor quiser.
Só me deixe comemorar!
Mas o garçom falou que sentia muito e que tinha que fechar.
Tudo bem.
Vai com Deus.
Acabou mais um dia de trabalho e você só quer descansar.
Eu também vou com Deus.
Pra outro bar.
Pois é preciso comemorar!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Amor de carnaval

Era sábado. Um sábado lindo. Um sol incandescente pairava sobre nossas cabeças. O sol! Dia quente no Rio é sinônimo de dia feliz. E não poderia ser diferente, pois não era um sábado como outro qualquer. Era sábado de carnaval.
Ela estava linda na primeira vez que eu a vi. Vestida com roupas leves, típico de folião. Ela era a mais linda foliã. Estávamos no Bola Preta, lá na Cinelândia. Vimos-nos e foi paixão à primeira vista. Conversamos um pouco. O pouco virou muito e em algumas horas depois de curtir o bloco, já estávamos nos amando. Às vezes, fico pensando que se não fosse o carnaval, talvez ela nem tivesse me dado bola. Mas o carnaval tem dessas coisas inexplicáveis. Freud não explica isso. Duvido!
E juntos permanecemos durante a folia de Momo. Domingo, desfilamos pelo Salgueiro e nos amamos outra vez. Acho que foi o vermelho da escola que nos incendiou. Segunda, desfilamos pela Portela. O azul-e-branco de Madureira nos emocionou de tal forma que nos amamos novamente. Sem falar nos blocos. Suvaco, Que Merda é essa?, Cacique de Ramos, Bafo da Onça... Curtimos todos esses mais conhecidos e ouros blocos menores. Na terça, a clássica Banda de Ipanema. À noite, mais samba na Lapa, sem esquecer do Terreirão. O importante era que estávamos juntos e pulando carnaval. Aliás, nunca gostei dessa expressão “pulando carnaval”. Carnaval não se pula, se samba. Então, retificando: sambamos carnaval como nunca. Eu era o Pierrô e ela, a minha Colombina. Foram os dias mais felizes da minha vida.
Na quarta-feira de cinzas, o dia amanheceu nublado. Cinza. Tudo a ver. A felicidade que tomara conta da cidade se transformara em doce recordação. No carnaval, penso que o mundo tem jeito. As pessoas se divertem, brincam, são felizes. Esquecem os problemas. Se o carnaval não acabasse nunca, talvez a vida fosse diferente... Sei lá. Às vezes, dou para divagar. Não ligue para isso.
Liguei para ela. Não me atendeu. Tentei outras vezes e nada. Naquele dia nublado, fiquei muito triste. Chorei. De felicidade por ter encontrado a mulher da minha vida. E de tristeza por tê-la perdido dias depois. Chorei por não me conformar que não a veria mais. Por não me conformar que o carnaval fora um sonho. Um sonho que acabara. Estava de volta à realidade. Chorei e chorei. Gritos de felicidade se espalharam pela cidade. Saí de casa para ver. E me deram a notícia:
- Salgueiro e Portela ganharam o carnaval!
Meu choro se intensificou. Felicidade e tristeza no mesmo choro. É o choro mais estranho que existe. Meu coração se acalmou. As campeãs do carnaval foram as escolas que nós havíamos desfilado! Confesso que tive esperanças de encontrá-la novamente.
Chegou o sábado das campeãs. Vejo esse dia como uma festa falsa, uma reprodução do que houvera uma semana antes. Não há a mesma graça. Mas lá estava eu, pelo menos para tentar esquecê-la, mas na verdade foi lá que eu mais me lembrei dela.
Desfilei. Duas vezes. Portela e Salgueiro. No fim dos desfiles, chorei novamente. Foram os desfiles mais bonitos da minha vida. Jamais vou esquecer aqueles momentos. Juro que a procurei, mas não a encontrei.
Três meses depois, estava eu na fila do banco, quando alguém me toca o ombro direito. Viro. E dou de cara com ela. Sim, o meu amor de carnaval! Ela estava ali, na minha frente. Mas não me reconheceu.
- Moço, que horas são?
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Vila Isabel e os 100 anos do Theatro Municipal

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Madonna - Pegajosa e Doce

Mas eis que surge um novo cd, uma nova Madonna, uma nova turnê. Depois do perfeito cd (não canso de dizer isso) todo feito em batida eletrônica, surge uma Madonna oportunista (no melhor uso da palavra), fazendo uso do hip-hop. Antes que me acusem de algo, explicarei melhor o uso da palavra “oportunista”.

Digo que Madonna foi oportunista ao lançar esse último álbum (Hard Candy), pois entendo que oportunista é aquele que sabe aproveitar uma boa oportunidade e tirar proveito dela. Ela parou e observou que os rappers nunca estiveram tão na moda. Vide Jay-Z , Já Rule, Pharrel, Will I am, 50 Cent, Justin, Timbaland, Kayne West e tantos outros. Esses caras lançam uma música atrás da outra e são febre em quase todo o mundo. Madonna, muito esperta, não queria ficar para trás. Sabia que num novo álbum, se não os usasse, teria que disputar com eles o espaço musical (guardadas as devidas proporções). Então, decidiu que iria trabalhar com eles. Oportunista mais uma vez, chamo eu. E acertou em cheio. Mas não é ineditismo!
Por isso, neste novo cd, ela chega com uma nova batida, mas o cd não chega nem aos pés do anterior. Mas é interessante ver essa mistura. A rainha do pop lança um cd com uma levada hip-hop, mas que no fim acaba sendo um “hip-hop-pop” e nada além disso.
Mas falando da turnê do cd novo, esta chega ao Brasil, o último país pelo qual a turnê passará. Dois shows no Rio e três em Sampa. Tá de bom tamanho. Na verdade, ela até agendou shows demais. Cogitava-se uma única apresentação. Mas a “Time for fun” (empresa que a trouxe) pagou uma fortuna por essa brincadeira toda...
Eu relutei muito. Não queria ir ao show de jeito nenhum. Pagar um dinheirão para ver um artista... Não. Era demais para mim. Não podia aceitar isso! Mas quando chegou no dia do primeiro show, me bateu um sentimento ruim no peito. E odeio esse sentimento. Explico, mas vê se você me entende ou se já aconteceu com você algo parecido... Sabe quando tem uma festinha de um vizinho seu e todos os seus amigos são convidados, menos você? Por mais que você anuncie pelos quatro cantos que você não faz questão de ir à festa alguma, não te dá uma sensação chata, ruim, sensação de excluído?! Em mim, dá! Que raiva que eu fico quando isso acontece! Pois então, aconteceu a mesma coisa comigo em relação ao show da Rainha do Pop. Eu não fazia questão, mas todo mundo estava indo (todo mundo mesmo, até meu professor de Literatura Portuguesa!). Não podia aceitar essa exclusão. Comprei o ingresso para o segundo dia, faltando vinte minutos para o show começar. Com um cambista, é claro. Não me julgue! Continuando... Por um erro do dito cujo, meu ingresso saiu por 35 reais (sim, isso mesmo! Nem eu acreditei!).
Entrei no Maraca. O palco era gigante. O show começou uma hora e quarenta depois. Curti o show como nunca e descobri que eu sabia cantar a maioria das músicas. O show terminou. Foram as duas horas mais rápidas de toda a minha vida. O show fora perfeito. O melhor show da minha vida. Tá, na verdade, nunca tinha ido a outro show, mas Madonna é Madonna e é para sempre...
Sai do Maraca satisfeito com o que eu tinha visto. Ela é danada mesmo. Faz jus ao nome da turnê. Madonna é doce e pegajosa. Gruda no ouvido e não sai mais. Você diz que não gosta, mas quando vê tá cantando uma de suas músicas-chiclete. É horrível ter que admitir isso, mas ela não ostenta o título de “Rainha” à toa. Ela é soberana no palco. Uma senhora cantora, no auge dos seus cinqüenta anos...
“Seu Ladir” diria que Madonna é “mara”. Eu prefiro pegar carona numa charge do Aroeira, e afirmar que mais pop que a Madonna no Brasil, atualmente, só o Lula mesmo...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Os 50 anos da Imperatriz

Sinopse:
http://www.imperatrizleopoldinense.com.br/sinopse.html
domingo, 23 de novembro de 2008
O céu da Unidos da Tijuca

domingo, 16 de novembro de 2008
O Clube Literário da Mocidade

domingo, 9 de novembro de 2008
Viradouro e a energia que vem da Bahia

O presidente pensou melhor e decidiu não mais reeditar um samba da escola alheia, e sim fazer seu carnaval com um samba inédito. Decisão estranha, visto que o samba do Salgueiro de 1969 é muito conhecido até hoje e com certeza, seria um “plus” para o desfile da Viradouro e levantaria a Sapucaí, já que a escola será a última a desfilar na segunda-feira de carnaval. (Para quem não lembra do samba, ele tem uma parte que é até hoje cantada nas rodas de capoeira: “zum zum zum zum zum zum, capoeira mata um...”).
Então, o presidente da escola chamou para o cargo de carnavalesco Milton Cunha, competentíssimo e muito inteligente. Para mim, ele é (junto com Rosa Magalhães, da Imperatriz) o carnavalesco que melhor sabe criar e desenvolver um enredo. Foi só Milton chegar para pôr ordem na casa. Falar de Bahia é com ele mesmo!
Milton propôs uma nova leitura sobre a Bahia e em 2009, apresentará o enredo: “Vira-Bahia, pura energia!”. O enredo vai enfocar a Bahia, mas como fonte de energia renovável. Vai fugir do lugar-comum, como o acarajé, o vatapá e a micareta, para falar do azeite de dendê que pode ser usado como combustível, inclusive no carro velho da Ivete... Cana-de-açúcar, mamona, girassol, canola, pinhão-manso... tudo isso estará no tabuleiro da baiana. A Viradouro promete encerrar o carnaval mostrando a energia que os baianos têm. E alguém duvida, meu rei?! Ó, paí, ó!
Na minha opinião, é um grande enredo que a escola tem na mão. Agora, é torcer para a apresentação no dia do desfile estar a altura da sinopse divulgada para a imprensa.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
A Mangueira e o povo brasileiro

Abordará a miscigenação brasileira e não faltarão índios, negros e brancos para mostrar o quanto somos diferentes, porém únicos. Esse enredo me dá a sensação de “deja vu”, de “já vi esse filme (ou desfile) antes...”.
Por que não falar de Cartola, que completou 100 anos de nascimento?! Não... A Mangueira não ouve os conselhos do povo do samba e escolheu em 2008 falar sim dos 100 anos, mas do frevo. E deu no que deu. A pior colocação de sua história. Um amarguíssimo décimo lugar. Só a frente da Porto da Pedra e da São Clemente, que fora rebaixada para o Grupo de Acesso.
Por que, Mangueira?! Por que, em 2009, falar de um tema tão batido?! Sinceramente, não sei. Não sei o porquê desta escolha e também não sei o que esperar do desfile da verde-e-rosa, pois saiu o “mago das cores” (Max Lopes), que tinha um estilo barroco de fazer carnaval (leia-se: muito luxo) e agora entra Roberto Szaniecki, que embora tenha feito carnavais mais “limpos” na Grande Rio, com design moderno; também possui um estilo barroco. Eis a minha dúvida. Será que a Mangueira não trocou seis por meia-dúzia?! Ou Roberto vai trazer uma Mangueira com cara de Grande Rio (leia-se: muito, mas muito luxo mesmo + carros tão grandes que quebram no meio da Avenida)?!
É esperar para ver...
Que saudades do Jamelão!
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
O amor da Portela

A Portela, em 2009, vai falar do amor com o enredo: “E por falar em Amor... Onde anda você?”. O enredo foi sugerido e escrito pelo jornalista Cláudio Vieira e muito bem acatado pela Portela, pois também foi de autoria dele o enredo de 2008, que falava de preservação da natureza (um enredo que ninguém levava fé, mas que levou a Portela ao Desfile das Campeãs depois de 10 anos de ausência, num honrável quarto lugar).
O amor será mostrado de diversas formas: vai lembrar o amor dos cavaleiros que lutavam pelo Rei Arthur, vai mostrar o amor de um rei indiano que após perder sua amada, mandou construir um monumento (o Taj Mahal), o amor pela liberdade dos negros africanos, amor no cinema, amor de mãe e terminará falando do amor de carnaval. Afinal, o triângulo amoroso mais famoso do mundo está composto de personagens do carnaval: Pierrô, Arlequim e Colombina. A escola não vai esquecer de mostrar no seu desfile o amor do portelense pela sua escola querida.

Particularmente, acho um enredo muito bonito e lendo a sinopse, quase me convenci de que era bom. Mas, volto a frisar: dá para transformar algo abstrato em carnaval concreto?! É muito complicado falar de sentimentos. Sem falar, é claro, na colagem de assuntos diversos que nada têm a ver uns com os outros, exceto que envolvem o amor. Forçaram a barra novamente.
Os carnavalescos são caras novas para o grande público (Lane Santana e Jorge Caribe), mas podemos esperar um desfile bonito, pois os carnavalescos passaram pelos grupos de acesso e sabem lidar com a criatividade, pois lá não há tanto dinheiro como no Grupo Especial. Penso que não é um bom enredo para ganhar carnaval, mas como dizem que “treino é treino e jogo é jogo”, temos que esperar, pois o carnaval é conquistado na Sapucaí. Mas não posso negar que eu temo pela Portela...
Sinopse: http://www.gresportela.com.br/carnaval2009/sinopse2009.php
domingo, 19 de outubro de 2008
Os tambores do Salgueiro

O Salgueiro retoma às suas origens e vai buscar no tambor o tema do seu carnaval. Sim, isso mesmo. Simplesmente “Tambor”. Esse é o titulo do enredo. Curto e grosso.
A escola fez história a partir da década de 50 com enredos de temática africana, enredos estes que somam 5 vitórias das 8 que a agremiação possui; isso sem falar nos enredos afro que não foram campeões. Já falou de Zumbi, Chica da Silva, Chico-Rei, Candaces, criação do mundo segundo os Yorubás... enfim, já visitou e revisitou a África em muitos carnavais. Em 2009, vai contar na avenida a história do tambor. Eu pergunto: há tanto a se falar deste instrumento a ponto de transformá-lo em enredo de carnaval? Há como pegar esse tema e transformá-lo em 32 alas e 8 carros alegóricos? Renato Lage aposta que sim.
A verdade é que quando se mexe com temas afro-brasileiros, o salgueirense fica feliz e motivado. Essa é a aposta de escola. Resgate ao passado. Contagiar a comunidade. Falar de tambor.
Vai falar do instrumento usado para comunicação na pré-história, nas religiões, no tambor da inclusão (Funk in Lata já confirmou presença na bateria), vai falar da Timbalada, do Olodum e vai fechar o desfile homenageando o tambor da bateria Furiosa da Tijuca, comandada por anos e anos pelo grande Mestre Louro, que já foi sambar no céu, mas que continua no coração de todos os membros da Academia do Samba. Ainda vai sugerir que dentro de cada ser humano, bate um tambor, que dita o ritmo da nossa vida, que é o coração.
O enredo é interessante, mas pode parecer “mais do mesmo” e o jurado “descer” a caneta no dia do desfile. Parece que quiseram fazer uma homenagem ao Mestre Louro, mas como não havia como transformar essa homenagem em um desfile, “incharam” o enredo com outros sub-temas, criando um fio condutor, que neste caso é o tambor.
Mas de qualquer forma, meu coração já tá batucando de tanta ansiedade para ver, mais uma vez, o carnavalesco que outrora fora conhecido como “hi-tech”, apresentar um enredo rústico, com muita palha e juta. Axé, Salgueiro!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
A curiosidade da Porto da Pedra

segunda-feira, 6 de outubro de 2008
As Sereias do Império Serrano

quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Pensamento e palavra na aquisição de língua estrangeira
o primeiro momento em que significantes se transformam em palavras dotadas de significados na mente da criança estará perdido para sempre. Nesta fase, se dá a “inconsciência” da aquisição da língua, pois a criança não percebe que está adquirindo àquela que será sua língua para sempre.Voltando para a questão da aquisição de segunda língua, é importante destacar a relação entre pensamento e palavra envolvida neste processo. Para isso, desejamos comparar com a relação entre pensamento e palavra na aquisição da primeira língua; para traçarmos as semelhanças e as diferenças entre os processos. Vejamos o que nos diz Vygotsky:
“Quando passa a dominar a fala exterior, a criança começa por uma palavra, passando em seguida a relacionar duas ou três palavras entre si; um pouco mais tarde, progride das frases simples para as mais complexas, e finalmente chega à fala coerente, constituída por uma série dessas frases; em outras palavras, vai da parte para o todo. Por outro lado, quanto ao significado, a primeira palavra da criança é uma frase completa. Semanticamente, a criança parte do todo, de um complexo significativo, e só mais tarde começa a dominar as unidades semânticas separadas, os significados das palavras, e a dividir o seu pensamento, anteriormente indiferenciado, nessas unidades. Os aspectos semântico e externo da fala seguem direções opostas em seu desenvolvimento – um vai do particular para o geral, da palavra para a frase, e o outro vai do geral para o particular, da frase para a palavra (Vygotsky, 108,109).”
Podemos observar que na aprendizagem de língua estrangeira, no âmbito das palavras, o processo é idêntico à aquisição da língua materna. Um aprendiz iniciante de segunda língua, que é antes de tudo, aprendiz consciente do processo de aquisição de tal língua e consciente também de que já possui a sua própria língua; para construir macro-sentidos e falar a língua que almeja, começa (como as crianças na primeira língua) “por uma palavra, depois relaciona outras palavras (poucas) até que começa a construir frases simples. Um pouco mais tarde, progride das frases simples para as mais complexas, e finalmente chega à fala corrente (Vygotsky, 109).”
A diferença principal neste plano inicial entre o aprendiz de língua estrangeira e a criança que adquire língua materna é que quando o aprendiz, neste primeiro contato com a língua estrangeira, começa a construir sentidos nesta língua somente por palavras até chegar às estruturas mais complexas, irá servir-se da língua materna; ou seja, o aprendiz vai intercalar palavras da segunda língua com palavras da primeira, pois ele está recodificando o mundo ao qual já conhecia em sua língua original. A língua materna é muito importante neste primeiro momento, pois ela servirá de base para uma futura “emancipação” e neste momento posterior, o aprendiz já será capaz de construir macroestruturas na língua estrangeira.
Porém, a diferença está na organização do pensamento na aquisição de segunda língua. Como vimos, na língua materna, a criança parte de “um complexo significativo, e só mais tarde começa a dominar as unidades semânticas separadas, [...] vai do geral para o particular (Vygotsky, 109).” Na língua estrangeira, o pensamento caminha junto com a palavra quanto a sua estruturação na mente do aprendiz. E essa diferença pode-se atribuir ao fato de ser um aprendizado consciente e calcado (nos estágios iniciais) na língua materna, no qual o aprendiz já possui o domínio das unidades semânticas separadas.

Como exemplo, imaginemos que há uma criança frente a um aquário no qual há vários peixes nadando. Um adulto aponta para o aquário e diz: “peixe”. A criança, para fazer sentido com essa informação, vai partir do micro para o macro, ou seja, parte da palavra peixe, mas seu pensamento vai partir do macro para o micro, e por isso, neste primeiro momento, ela vai pensar que o significante peixe engloba o significado de “peixe + água + pedrinhas coloridas no fundo + vidro (aquário)”. Ela vai imaginar que peixe será tudo aquilo que estará à sua frente. Nesta etapa de seu desenvolvimento, a criança ainda não é capaz de segmentar o seu pensamento em unidades menores.
Agora, imaginemos que temos um aprendiz de língua estrangeira frente a um aquário e um professor desta língua (pensemos no inglês como exemplo de segunda língua) aponta para o aquário e diz: “fish”. O aprendiz poderá até se confundir e pensar que o significante “fish” se refere ao significado “aquário”, porém ele dificilmente aglutinaria unidades semânticas. Ou ele pensaria que é o peixe ou que é o aquário, mas não pensaria que “fish” significasse “peixe + aquário com pedrinhas no fundo + água”.
Essa impossibilidade de aglutinar unidades semânticas é devido ao fato que a língua materna já está internalizada no aprendiz e serve como suporte para a percepção e compreensão da língua estrangeira. Ou seja, com este exemplo, podemos observar que na aquisição de segunda língua, o pensamento parte do micro para o macro, juntamente com a palavra; pois o aprendiz desta outra língua já possui a língua materna como referência. Para que fique claro, nos referimos a um aprendiz que não seja criança, estamos usando como exemplo um aprendiz que já tenha consciência da aquisição da língua estrangeira e que já tenha superado este momento inicial da aquisição da primeira língua (Vygotsky afirma que cerca dos 2 anos de idade, as curvas de evolução do pensamento e da linguagem encontram-se e passam a exercer mútua dependência, ou seja, interdependência).
Embora estejamos comparando um aprendiz de segunda língua falante fluente de sua língua materna com uma criança, acreditamos que tal comparação seja plausível, pois “na aprendizagem de um língua estrangeira, existe todo um tempo de nominação. Mostra-se um objeto ou sua imagem e ele é nomeado. Esse momento evoca, certamente, aquele no qual a criança pequena experimenta seu novo poder nomeando aquilo que a rodeia, sob o olhar aprovador do adulto (Christine Revuz, 222).”
Apesar do nosso exemplo, é totalmente possível haver uma aquisição inconsciente de uma “segunda língua”, porém esse processo se dará em crianças expostas ao mesmo tempo a duas línguas. E no processo de aprendizagem dessas duas línguas, ocorrerão as mesmas etapas de desenvolvimento da linguagem já citadas por Vygotsky. A essa aquisição simultânea de duas línguas chamamos bilingüismo.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Salve o mensageiro!
O carteiro é aguardado ansiosamente.
E é saudado solenemente
Quando traz algo que esperamos muito.
Ele pode trazer consigo sonhos,
Esperanças,
Cobranças,
Propagandas,
Um telegrama,
Um cartão postal de um lugar distante,
Uma mensagem desejada,
E até mesmo uma carta da pessoa amada.
É perseguido,
Mas isso não o intimida.
Acostuma-se.
Acha até graça.
Tem uma missão e a persegue.
Vai até o fim do mundo
Para cumprir o que lhe foi designado.
O carteiro é um peregrino.
Salve o mensageiro!
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Sou um assaltante
Essa semana aconteceu um fato curioso. Entrei num ônibus na Barra da Tijuca e o cobrador pensou que eu fosse assaltar o ônibus. Não me deixou passar na roleta. Na hora eu não entendi direito o porquê, até que percebi que ele estava muito nervoso com a minha presença. Essa atitude dele me fez pensar. Eu deveria ter ficado com muita raiva, mas na hora tamanha foi a minha perplexidade que eu não falei nada. Minha consciência estava limpa. Eu sei que eu não ia fazer nada...
Mas por que ele achou que eu poderia assaltar o ônibus? Pela minha roupa?! Não. Ele não teria ido com a minha cara? Talvez. Mas acho que foi mesmo pela minha cor. Mas tudo bem, eu o entendo. Não sou hipócrita. Quem não fica mais atento quando entra um negro em um ônibus? Se usar boné então... Ficamos ligados! E se estiver de chinelo?! O ônibus nem pára, na maioria das vezes.
Eu poderia estar revoltado pela atitude preconceituosa do cobrador, mas não estou, pois eu poderia ser um dos que estavam naquele ônibus e inclusive, poderia ter tido a mesma reação. Mas isso não justifica o ato em si. É somente um pequeno retrato do preconceito racial que existe neste país e que muitos insistem
Enquanto nos preocupamos com os negrinhos que podem nos roubar, branquinhos engomadinhos nos roubam todo o tempo. Um branco de terno-e-gravata será sempre um branco de terno-e-gravata, não importando o que ele faça. Para eles, não há prisão. Sempre há um habeas corpus saindo do forno, a todo o momento. E o pobre negro apodrece na prisão, às vezes por roubar para comprar um pão...
Cada um pode suspeitar de quem quiser.
Mas eis a pergunta que não quer calar:
em quê fundamenta-se o nosso medo?
Podemos nos surpreender com a resposta.